8 de dez. de 2010

Garimpo de Notícias

Torcedores poderão comprar "Pedacinhos do Maracanã"

A secretária Márcia Lins revela que pequenas pedras das arquibancadas serão adquiridas como souvenirs, e outras partes serão leiloadas.
"É apenas um souvenir, mas o torcedor que desejar ter uma lembrança material do Maracanã poderá fazê-lo em breve. Isso porque a Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer do Rio de Janeiro colocará à venda um lote de cinco mil pequenas pedras que têm sido retiradas durante a demolição das arquibancadas do estádio. O preço, que ainda não foi divulgado, será simbólico."

Fonte: Globo.com - 07/12/2010.

- Aqui você, utilize o dinheiro para comprar um livro (não Caras, jornais baratos e afins) ou um prato de comida para quem está com fome. Mas comprar concreto "simbólico", refugo de obra, tenha dó!

Dilma fará visita ao Complexo do Alemão dia 21

A presidente eleita, Dilma Rousseff, fará uma visita ao Complexo do Alemão, no Rio, no próximo dia 21/12, quando completar um mês do início dos conflitos que levaram à ocupação do local pela polícia e Forças Armadas.

- Aqui, muito pior que comprar pedra é saber que a visita da dona vai virar filme. E que tem um monte de gente que vai ver, além, claro, daqueles que compraram as pedras.

Últimas:

Padre Fábio de Melo lança DVD em show nesta quarta, 08/12 em BH. E ontem, terça, o pai de Michael Jackson lançou um livro sobre o filho, aqui, também, na capital de Minas.

- Desisto. Pode comprar pedra até de crack que é muito melhor, tá?

23 de nov. de 2010

Saber e Sofrer

Saber e Sofrer*

Dizer que o conhecimento faz sofrer tornou-se habitual. O sofrimento foi ligado à filosofia e à literatura a ponto de que não podemos imaginar um filósofo, ou alguém com cara de sábio em meio a livros, pulando carnaval ou curtindo uma piscina. Isso é um mito. Os filósofos e os escritores são ainda hoje constantemente vistos como pessoas que sofrem por conhecerem a alma humana em sua profundidade inacessível aos demais. Não quer dizer que conheçam a alma, nem que haja nela uma profundidade inacessível. Isto é apenas possível. É, sobretudo, uma crença compartilhada e, como tal, organiza nossa visão de muitas coisas. Nunca saberemos se os filósofos antigos eram todos sofredores, nem se conheciam a alma humana. Sabemos apenas que deixaram seu testemunho, no qual confiamos e com os quais devemos discutir hoje para entender o nosso tempo.

Muitos dos pensadores contribuíram com esta imagem tratando o sofrimento como seu objeto de estudos, como Schopenhauer no século XIX. Outros fizeram de seu próprio sofrimento o objeto de suas filosofias, como Pascal no século XVII. Todos tentaram entender a relação entre conhecimento e sofrimento. Dos antigos, Aristóteles, por exemplo, usou um termo de Hipócrates, a melancolia, para explicar a relação do saber com o sofrimento. Tanto para o filósofo, quanto para o médico, a melancolia era um temperamento que explicava, inclusive, a inclinação intelectual de uma pessoa. Além de elucidar o pêndulo entre a loucura e genialidade que caracterizava alguns indivíduos.

Os mais interessantes, porém, são alguns dos padres filósofos da Idade Média que falavam de um certo “demônio do meio dia” que assolava os monges como um fantasma obsedante. Antes dos filósofos perderem a crença em entidades sobrenaturais devido ao longo processo de secularização que levou ao modo de se viver no ocidente sempre a crer em ciência e tecnologia, o dito demônio era considerado a causa da dispersão na leitura, da insatisfação no convívio dentro do mosteiro, do rancor, do torpor, da vontade de morrer, das fantasias de catástrofe, da preguiça, da indolência, e também da culpa por viver no mesmo lugar sem capacidade de agir e ajudar os outros, ao mesmo tempo que, responsável por uma crítica geral a tudo e a todos, que o cercavam em sua experiência monacal.

Era o misto de maldade com desespero, de amor com ódio, de autocrítica com crítica dos outros que caracterizava o quadro melancólico que tanto fazia com que o monge se sentisse um inútil, quanto fazia com que ele se tornasse um escritor, um artista envolvido em ilustrar os livros, um filósofo em busca das verdades próximas ou distantes.

A doença é o que cura

Na verdade, muitos acreditavam que a doença não era ruim. Hugo de São Vítor, por exemplo, falava em uma tristitia utilis, uma tristeza útil. Ela era necessária para a evolução espiritual. Esta idéia pode parecer estranha, mas nos ensina algo para os nossos tempos sombrios. Os monges acreditavam que a doença a que chamavam melancolia carregava em si o seu contrário, uma forma de saúde. Ela era uma espécie de cura.

Neste aspecto não somos diferentes dos monges medievais, só perdemos a capacidade de olhar para o que chamamos sofrimento, como se ele fosse, apenas, um modo de ser e o preço pago quando da descoberta da vida. Mas, se o valorizássemos melhor (e não mais) talvez pudéssemos aprender que a condição humana sempre foi à mesma, que não somos diferentes e, portanto, a nossa dor não é diferente. Desde sempre, se nos pensamos como espécie, sofremos. Quem tenta saber mais, ou melhor, sofre de um novo jeito. Em vez de afundar no lodo da dor emocional, podemos descobrir o potencial de transformação do conhecimento. Que o sofrimento não é o resultado do conhecimento, mas seu ponto de partida... saber pode ser mais a cura e a libertação da dor do que a dor.

Conhecer para quê?

Que pensar nos faz sofrer pode até ser verdade. Tanto quanto pode ser verdade que pensar pode ser um prazer imenso. Quem se ocupa em conhecer a si mesmo e ao mundo, sabe que fará a experiência de prazer e desprazer nesta viagem. Os gregos tinham a idéia do phármakon, remédio e veneno ao mesmo tempo, para explicar a dialética da vida. Ela se aplica ao conhecimento. Podemos sofrer com ele e, do mesmo modo, alegrarmo-nos.

A melancolia antiga é ancestral direta da nossa depressão. O excesso de depressão nos dias de hoje não deixa de ter relação com a sociedade do conhecimento e da informação em que vivemos. Queremos resolver tudo pelo conhecimento, mas esquecemos de pensar que, o conhecimento é uma saída que deve servir a algo mais do que o mero progresso da ciência. O conhecimento como potencial de saída da infelicidade, mesmo que tenha nascido dela. Se alguém busca conhecer a si é porque deve pretender com isso ser feliz. Ser feliz é mais ético e mais bonito do que apenas buscar a si mesmo como uma verdade absoluta. Sobre esta verdade de si ninguém tem garantia. A verdade não deve ser uma ilusão da resposta, mas a busca.

* Publicado na Revista Vida Simples em 2008. Por Márcia Tiburi, graduada em filosofia e artes, mestre e doutora em filosofia pela UFRGS.

17 de nov. de 2010

A festa

A festa

por André Felipe Souza Cecílio

A movimentação na casa da Lili havia começado cedo. Mal ela havia acordado e todos da casa já estavam conversando e indo e vindo o tempo todo. Ao contrário do que é de costume, dessa vez ninguém tinha vindo até o quarto de Lili para acordá-la e, após um beijo de bom-dia, levá-la até a mesa de café sobre a qual estaria servido o mais belo lanche da manhã de todo o mundo. Por isso, Lili permaneceu deitada, imaginando o que estaria acontecendo do outro lado da porta.
Na sala, Dona Carmen falava sem parar enquanto distribuía balões para cada um encher. Sua animação era evidente.
- Parece até que o aniversário é dela! – comentou o Lucas, enquanto enchia mais um balão cor-de-rosa. Ah, mas se eu não faço, ninguém mais tem disposição pra fazer. Às vezes eu acho que a Lili é quem faz aniversário, mas vocês que envelhecem! – respondeu Dona Carmen, agora procurando por um pacote de guardanapos na gaveta do balcão da sala – E mesmo por quê, vocês sabem bem que festa de aniversário é coisa muito importante nessa fase dela.
- Nisso ela tem razão – concordou Adelaide, que acabara de entrar na sala com uma imensa travessa de salgadinhos – Pode parecer bobagem, mas essas coisinhas são muito significativas pra ela.

Além disso, se nós podemos oferecer isso a ela, é esse o nosso dever. Tem tanta família aí que é doida pra fazer uma festinha de aniversário e não tem condições… – arrebatou Carmen.
Aos poucos, a sala ia se enchendo de balões verdes, rosas, azuis, roxos, vermelhos e de tantas outras cores que faziam o aposento parecer com as casas dos mais belos contos-de-fadas. Agora, Lucas e Adelaide se botaram a agrupar os balões em belos arranjos para, então, pendurá-los no teto e nas paredes ou deixá-los soltos em algum canto vazio. Dona Carmen, por sua vez, passava um pano úmido pelos móveis e continuava a dar pequenas ordens para os outros dois.
- Vocês tratem de manter esses balões no lugar e não baguncem a sala! Já, já eu vou sair com a Lili para comprar um presentinho pra ela e distraí-la até que dê a hora da festa. Aí, quando os convidados começarem a chegar, vocês me liguem, ok?
- Sim, senhora! – brincou Lucas, batendo continência.
- Bobo!
- Ih!, começou… Ô Carmen, que é que você vai comprar pra ela? – perguntou Adelaide, mudando o assunto.
- Ah, menina, vou comprar uma boneca linda que eu vi vendendo no shopping outro dia. Você precisa ver: é linda, parece até real!
- Ai, mas será que ela ainda gosta de bonecas?
- Eu não sei, mas essa não tem jeito de não gostar. É daquelas personalizadas, já viu? Eu dei uma foto da Lili pro vendedor e encomendei uma que fosse muito parecida com ela, como se fosse a filha. Ela vai adorar!
- Verdade… – concordou Adelaide – e essa filha é boa, porque não chora, não grita, não…
- Não morre… – disse Lucas.

Fez-se silêncio na sala, como se as duas mulheres tivessem perdido as vozes com a fala do Lucas. Só depois de alguns segundos que Carmen conseguiu falar algo:
- Ai, credo, Lucas!
- Uai, e não é verdade? – defendeu-se o outro.
- Em pleno clima de festa vem falar de morte. Cruz credo!
- Ih, foi só um comentário, desculpem! – fez uma pequena pausa – E de qualquer forma, ela já ta um tanto grandinha e já entende esse tipo de coisa, não acham?
Dessa vez, ninguém quebrou o silêncio. Cada um manteve-se entretido em sua atividade sem sequer olhar para o lado. Só quando Carmen terminou a limpeza que ela disse:
- Vou acordar a Lili agora e já vamos sair. Deixem tudo pronto, que os convidados não devem demorar. Aliás, ta faltando alguma coisa que vocês queiram que eu compre por lá?
- Não. – respondeu Lucas.
- Ah, tem sim! É que eu não tive tempo de ir em nenhuma loja, aí não comprei o presente dela, sabe?
- Hum…, entendo. E o que é que você quer que eu compre pra ela?
- Eu pensei em um vestido. Ela fica tão lindinha em vestidos, ainda mais se for um rosinha bem clarinho, não acha?
- Ta certo – concedeu Carmen, com um sorriso – mas você vai me passar o dinheiro agora ou depois?
- Passo agora. Deixei um pouco guardado na bolsa exatamente pra isso. – e foi buscar as notas na bolsa – Toma. E se sobrar troco, compre um sorvete pra ela.
- Sorvete não. Ela vai acabar arrumando uma dor de garganta, aí você já viu…
- Verdade… Nessa idade a saúde é muito fragilzinha. Ah, você compra alguma outra coisinha então.
- Ta bom. Deixe eu ir lá então.

Dona Carmen, então, foi até a porta do quarto de Lili, abriu-a e, ao ver que ela estava acordada, disse, sorrindo:
-Feliz aniversário, Lili!
Lili, que sempre foi um pouco tímida, apenas sorriu de volta e se pôs sentada na cama. Dona Carmen foi até a cômoda no canto do quarto, pegou um vestido numa gaveta e deu para Lili, juntamente com uma pequena sandália de couro claro.
- Vou levar você para passear e comprar um presente lindo. Vamos?
Com a ajuda de Carmen, Lili se vestiu e saiu com ela, parando antes para receber os abraços de Lucas e de Adelaide. Assim que as duas saíram, Adelaide comentou:
- Ai, ai… Ela ta tão felizinha, né?
- Ta… Mas, também, quem não estaria? Hoje, ela é uma princesa igual às dos contos de fadas.
Dentro de poucos minutos, a decoração estava pronta. Lucas e Adelaide, então, se puseram a conversar sobre a festa e imaginar quem viria e se Lili ficaria mesmo feliz. Não demorou muito para que a campainha soasse, anunciando a chegada do primeiro convidado. Era Zezé, um amigo de Lili. Assim com os anfitriões, ele estava muito animado e mal podia esperar para ver Lili.

Aos poucos, foram chegando todos os amigos e familiares. O Antônio e suas duas filhas, a Didi, o Léo, o Fernando e a Luísa, o João, o Pedro e a Carlinha, todos estavam lá. Então, Adelaide e Lucas ligaram para a Carmem, avisando que já era hora de trazer Lili de volta.
Todos na festa estavam ansiosos pela chegada da aniversariante, de modo que, quando Lucas anunciou que ela já estava a caminho, fez-se absoluto silêncio, eventualmente quebrado por uma tosse ou um pigarro. Adelaide foi até a cozinha e retirou do forno um lindo bolo de chocolate branco e morando, coberto com glacê cor-de-rosa e já com todas as velinhas esperando por serem acesas, e colocou-o no centro da mesa.

Quando a campainha soou, todos se levantaram e, mal Lucas havia aberto a porta, um grito em uníssono de “Surpresa!” ecoou por toda a casa. Do outro lado da porta, Dona Carmen aplaudia e ria diante do olhar alegre de Lili. Vestindo o vestido novo, que era rosa e rendado igual ao das sinhás de muito tempo atrás e carregando a nova boneca no colo, como se fosse, realmente, a sua filha, Lili entrou na sala e recebeu abraços e cumprimentos de todos.
- Parabéns!
- Nossa, como você ta linda!
- Que Deus te abençoe sempre!
- E essa boneca? Qual o nome dela? – diziam.
- É Laura Diniz da Silva e Couto. É minha filha – respondia Lili, fazendo questão de apresentar a boneca, enquanto a ninava.
Diante dessa resposta, todos se assustavam um pouco, mas logo faziam outras perguntas e comentários e esqueciam-se de vez da boneca – ou tentavam, pois Lili, a todo momento, brincava de fazer cócegas na boneca e tentar ensiná-la a falar palavras como “mamãe” ou “oi”. Contudo, com o tempo todos se acostumavam e também acabavam brincando com a filha de Lili.
Todos estavam se divertindo bastante, para a alegria de Dona Carmen, Lucas e Adelaide, que também sorriam e se deliciavam com as conversas de família e com os casos tão repetidos e, ao mesmo tempo, tão incrivelmente novos. Lili estava assentada, conversando com os seus amigos Zezé, Didi e Léo, sempre com a boneca no colo.

Mas nenhuma alegria se comparou ao momento no qual apagaram-se as luzes, acenderam-se as velas e começou-se o coro em homenagem a Lili. Em seus olhos, era visível o brilho de uma criança que vive sempre em um lindo conto-de-fadas e, na hora em que se encerrou a alegre música de aniversário, Lili reuniu todas as forças que tinha, encheu os pulmões e, sob calorosos aplausos, apagou todas as oitenta e nove velinhas sobre o bolo.

Disponível em: http://conversacomversos.wordpress.com/

11 de set. de 2010

Postagem nº 100

BOA SORTE

A felicidade deve menos à coragem do que à sorte, menos, mesmo, à sabedoria do que à sorte. A etimologia diz, a vida o confirma: ser feliz é sobretudo ter a felicidade* (a sorte) de sê-lo.

*Bonheur, felicidade em francês, vem do bon heur, oriundo do latim augurium, que no francês arcaico tinha o sentido de Boa Sorte.

Boa sorte é o que desejo a todos(as) que me acompanharão nas noites de Sexta,
no Colégio São Paulo da Cruz.


Um abração para...

Aires Richardson da Silva
Alda Leal da Cruz
Alexandre Almeida Araujo
Aline Cristina Ferreira Barboza
Amélia Rodrigues dos Santos
Benigna Maria de Aguiar
Caren Flanceles Lopes
Carlos Augusto Maia
Carmen Regina dos Santos
Deivisson Bruno Araujo Leal
Edilaine Cristina Alves
Erika Pereira Metzkr
Evanilson Oliveira
Fernando Gustavo Pereira
Frederico Antunes da Silva
Hosana Cristina Amaral Tavares
Ilídia Lúcia Severino
Iris Aparecida Silva Sena
José Marcelo dos Santos
José Vanderlei de Souza
Liane de Oliveira Araujo
Lorena Fonseca Andrade
Márcia Alves Pereira
Marcos Américo Aquino Ferreira
Maria Elizanja I Martins
Maria Irlanda Ferreira
Maria Marli França Ribeiro
Marilza de Lima Barbosa Santos
Marina A Rocha
Meirelene de A. Fernandes Rodrigues
Nayara Cordeiro
Neide Tavares de Faria Henriques
Nilton Alves dos Reis
Orlando Alexandrino dos Santos
Rafael Gonçalves Silva
Raquel Francine de Oliveira
Rita de Cássia P.Santos
Rosele Vilaça Mendes
Rosilene Santos Afonso Dias
Sérgio Andrade da Rocha
Solange Condessa Coura...

17 de ago. de 2010

Façam suas ações refletirem as suas palavras

Discurso de Severn Suzuki, da Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente, durante a ECO 92, realizado no Rio de Janeiro. Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.


Na íntegra.

Olá, sou Severn Suzuki. Represento a eco, a organização das crianças em defesa do meio ambiente. Somos um grupo de crianças canadenses, de 12 a 13 anos, tentando fazer a nossa parte, contribuir. Todo o dinheiro que precisávamos para vir de tão longe, conseguimos por nós mesmos, para dizer que vocês, adultos, tem que mudar o seu modo de agir.
Ao vir aqui hoje, não preciso disfarçar meu objetivo: estou lutando pelo meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na bolsa de valores. Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir. Estou aqui para defender as crianças com fome, cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome dos incontáveis animais morrendo em todo o planeta porque já não tem mais para onde ir.

Não podemos mais permanecer ignorados. Hoje tenho medo de tomar sol por causa dos buracos na camada de ozônio, tenho medo de respirar esse ar porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando.
Eu costumava pescar em Vancouver com meu pai até o dia em que pescamos um peixe com câncer. Temos conhecimento de que animais e plantas estão sendo destruídos a cada dia e em vias de extinção. Durante toda minha vida eu sonhei ver grandes manadas de animais selvagens, selvas, florestas tropicais repletas de pássaros e borboletas mas, agora, eu me pergunto se meus filhos vão poder ver tudo isso.

Vocês se preocupavam com essas coisas quando tinham a minha idade?

Todas essas coisas acontecem bem diante dos nossos olhos e, mesmo assim, continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções. Sou apenas uma criança e não tenho as soluções mas, quero que saibam que vocês também não têm.

Vocês não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio. Vocês não sabem como salvar os salmões das águas poluídas. Vocês não podem ressuscitar os animais extintos. Vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram, onde hoje, é deserto. Se vocês não podem recuperar nada disso, então, por favor, parem de destruir!
Aqui, vocês são os representantes de seus governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos, mas, na verdade, são mães e pais, irmãos e irmãs, tios e tias, e todos também são filhos. Sou apenas uma criança, mas, sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de 5 bilhões de pessoas e ao todo somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade. Sou apenas uma criança, mas sei que esse problema atinge a todos nós e deveríamos agir como se fossemos um único mundo rumo a um único objetivo.

Apesar da minha raiva, não estou cega, apesar do meu medo, não sinto medo de dizer ao mundo como me sinto. No meu país, geramos tanto desperdício, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora, e os paises do norte não compartilham com os que precisam. Mesmo quando temos mais do que o suficiente, temos medo de perder nossas riquezas, medo de compartilhá-las. No Canadá, temos uma vida privilegiada com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de tv. Há dois dias, aqui no Brasil, ficamos chocados quando estivemos com crianças que moram nas ruas. Ouçam o que uma delas nos contou: "eu gostaria de ser rica e, se fosse, daria a todas as crianças de rua, alimentos e roupas, remédios, moradia, amor e carinho".
Se uma criança de rua que não tem nada ainda deseja compartilhar, por que nós que temos tudo somos ainda tão mesquinhos? Não posso deixar de pensar que essas crianças tem a minha idade e que o lugar onde nascemos faz uma grande diferença. Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio de Janeiro. Eu poderia ser uma criança faminta da Somália. Uma vitima da guerra do Oriente Médio, ou uma mendiga da Índia.
Sou apenas uma criança, mas ainda assim sei que, se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a terra seria!

Na escola, desde o jardim de infância, vocês nos ensinaram a sermos bem comportados, vocês nos ensinaram a não brigar com os outros. Resolver as coisas bem. Respeitar os outros. Arrumar nossas bagunças. Não maltratar outras criaturas. Dividir e não ser mesquinho. Então, por que vocês fazem justamente o que nos ensinaram a não fazer?
Não esqueçam o motivo de estarem assistindo a estas conferências. E para quem vocês estão fazendo isso. Vejam-nos como seus próprios filhos. Vocês estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer. Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes: “tudo ficará bem...”. “Estamos fazendo o melhor que podemos.” Mas não acredito que possam nos dizer isso. Estamos sequer na sua lista de prioridades?
Meu pai sempre diz: “você é aquilo que faz... não aquilo que você diz”...
Bem, o que vocês fazem, nos fazem chorar a noite.
Vocês, adultos, nos dizem que vocês nos amam.
Eu desafio vocês.
Por favor... façam suas ações refletirem as suas palavras.

16 de ago. de 2010

O que podemos conhecer?

Escher (Relatividade)


A primeira impressão diante de uma obra de Escher é de estranhamento, mas também de ludicidade, porque o artista brinca com nossa percepção. O que nos faz pensar: Será que tudo o que vejo é mesmo real? E se tudo for uma ilusão de meus sentidos? Convivo com pessoas que pensam de modo tão diferente de mim, como se vivessem em outra realidade. O que é real? Qual a garantia de que a realidade não seja um sonho? Já tive certezas tão arraigadas e que se dissolveram com o tempo: teria eu caído em erro? E agora, estaria certo? Quais são as garantias de minhas certezas?

BIBLIOGRAFIA.

ARANHA, M. Lúcia de Arruda, MARTINS, M Helena Pires. Filosofando. 2.ed. São Paulo: Moderna, 1993.