26 de abr. de 2011

Reflexão Filosófica sobre as Religiões no Mundo Contemporâneo

Reflexão Filosófica sobre as Religiões
no Mundo Contemporâneo
(Apresentação feita em Power Point)

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  1. Socialização Contemporânea (Internalização)
  2. A Infalibilidade das Ciências
  3. A importância das informações pragmáticas em detrimento dos conhecimentos reflexivos
  4. A supremacia do "ter"
  5. Globalização

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Consciência Humana sobre a Temporalidade da Existência

De onde viemos?
Para onde vamos?

Teorias Científicas: - EVOLUCIONISMO: A Idéia de Fim
Teorias Religiosas:  - CRIACIONISMO: A Idéia de continuidade de alguma forma de vida

Ambas são inconsistentes e inconclusivas!
Angústia pela fragilidade da existência!

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Quando nos encontramos?
- Nas "situações limites" da existência;
- Quando não atingimos um lugar de destaque na hierarquia dos valores globalizados.

Onde buscamos soluções e amparo?
- Nos dogmas das instituições religiosas;
- Na consciência reflexiva e na tentativa de compreender racionalmente a necessidade do sentimento de religiosidade em nossa vida.

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A RELIGIÃO:

- Instituição formal com regras de comportamentos baseadas nos dogmas e rituais estabelecidos.
- Apareceram quando o paganismo do império romano estava em decadência e se sustentava apenas pelos interesses pessoais do poder político e econômico estabelecido.
- Cada uma assume sua interpretação das palavras de Cristo (alegorias, figuras de linguagem e parábolas) como VERDADE única e definitiva.
- Provocaram as guerras religiosas, que foram as mais cruéis e fizeram mais vítimas do que as guerras políticas.
- A responsabilidade por esses fatos não está nas palavras e atitudes do Cristo, mas nas equivocadas interpretações, que fizeram delas um instrumento de paixão e poder.
- Combater egoísmo, o orgulho, a ambição, a cobiça e, principalmente, o fanatismo foram os principais ensinamentos do Cristo.
- Estes princípios impedem o exercício do poder do homem sobre o homem e a prática da exploração e da tortura.

PRESSUPÕE QUE O INDIVÍDUO TENHA:
Consciência Ingênua e Fé cega

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A RELIGIOSIDADE:

- Sentimento de falta presente em todo ser humano em função do não saber o sentido da própria vida.
- Aparece quando as estruturas de poder abrem espaço para o despertar da racionalidade que constrói a individualidade.
- Só é publicamente admitida, após as duas grandes guerras. Provocam nos indivíduos das sociedades mais desenvolvidas um questionamento do Deus bom que recompensa quem segue os dogmas estabelecidos pelas religiões.
- Equívoco histórico: Entre os anos 60 a 90 foram fundadas seitas alternativas que confundiam a religiosidade com a luta contra o autoritarismo e os abusos do capitalismo.
- Mas o sentimento de religiosidade e, sua prática INDIVIDUAL está necessariamente associado ao conhecimento histórico, científico e filosófico.
- A religiosidade impõe a compreensão de que todos os conhecimentos humanos precisam ser vividos de maneira interativa.
- Todos os conhecimentos deveriam ter os mesmos objetivos: a melhoria da qualidade de vida, a busca de um sentido para a existência e das relações humanas.
- Religiosidade: sentimento de religar-se àquilo do qual fazíamos parte antes de nascer.


PRESSUPÕE QUE O INDIVÍDUO TENHA:
Consciência Crítica e Fé raciocinada

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A FÉ RACIOCINADA:

Pressupõe a certeza de que somos parte de alguma "coisa maior", que transcende à vida. Eu sou parte dessa "coisa". Meu destino é voltar á essa "coisa".  Essa "coisa" geralmente é denominada DEUS. Por que podemos voltar a Deus? Porque temos a parte dele em nós como diretriz. Essa parte é a capacidade de praticar o amor. Fé implica em ação.

É a vontade de voltar ao pai (deus) que:
- Fortalece a fé;
- Leva à consciência dos próprios limites e defeitos.

Como se preparar para voltar ao pai (deus):
- Instruindo-se: A instrução raciocinada oferece diretrizes da ação humana.
- Fortalecendo a própria fé: As ações do dia a dia devem ser baseadas na vontade de querer ser um ser humano melhor.

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REFERÊNCIAS:


O Atlas das Religiões
Subtítulo: O Mapeamento Completo de Todas as Crenças
Autor: Joanne O’Brien e Martin Palmer
Editora: Publifolha
Edição: 1a. ed., 2008
Idioma: Português


DVD: História das Religiões
(Disco 1)
Catolicismo; Religiões de pequenas sociedades;
Religiões nativas da América; Africanos e Afro-americanos
(Disco 2)
Judaísmo; Hinduísmo; Protestantismo;
Clássicos e Mitos do Mediterrâneo
(Disco 3)
Islamismo; Xintoísmo; Ceticismo;
Budismo; Confucionismo.


O livro das religiões
Autores: Jostein Gaarder (O Mundo de Sofia), Victor Hellern e Henry Notaker
Editora: Companhia das Letras.
São Paulo, 2005.

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PS. Um abraço saudoso e especial à minha eterna
Mestra e Filósofa Cristina.

Cleiton.

20 de abr. de 2011

Anomia

Um dia desses...
O esportista chamado Neymar Jr. lamentou após ser expulso. O jogador de futebol do Santos,   comemorou um gol colocando uma das várias máscaras (com o seu próprio rosto) que foram distribuídas aos torcedores na entrada do estádio. Sem saber das regras do futebol, ele usou o "disfarce dele mesmo" e recebeu o derradeiro cartão amarelo, o que levou a sua expulsão. O atleta que se mostrou contrário à punição, lamentou da seguinte forma:  "Tem a lei e tudo mais, mas sempre tem aquela coisa chata no futebol, infelizmente. Querendo ou não, o gol é o que todo mundo que vai ao estádio está esperando, e você quer comemorar com os torcedores, com a família. Naquela noite eu queria retribuir o carinho da torcida usando a máscara, mas infelizmente acabei tomando o cartão e ficando fora de um jogo muito importante".
Pelas normas do futebol, os jogadores não podem cobrir o rosto com máscaras ou qualquer equipamento similar, tirar a camisa, subir em alambrados etc. Tais comportamentos são passíveis de advertência. [Fim]

Caro Neymar Jr.

Quem lamenta sou eu! Ao invés de lamúrias, você deveria era se desculpar por descumprir as regras; e, não se mostrar descontente e contrário a elas. Alguém mais, incluindo, o seu técnico, já deveria ter lhe ensinado isso. E essa ausência de normas, tem nome: Anomia. Conforme o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, "na sociedade em que desaparecem os padrões normativos de conduta e de crença e o indivíduo, em conflito íntimo, encontra dificuldade para conformar-se às contraditórias exigências das normas sociais" (...). E mais, na Psicologia Social, essa desorgazinação pessoal acaba resultando numa individualidade desorientada, desvinculada do padrão do grupo.
Sendo assim, tome consciência, reflita e muita calma antes de qualquer ação pois, existe uma grande quantidade de adolescentes que torcem e que querem ser como você.  Dá próxima vez que for retribuir "carinho de torcida", escolha outros modos de demonstrar o seu contentamento. E "aquela coisa chata" de acordo com suas palavras, pode vir a impedir e barrar futuros jovens adultos de entrarem em escolas como se estivessem em filmes de faroeste.

Cleiton.

9 de abr. de 2011

Saiu na Mídia: Vende-se leitura

"Vende-se Leitura" na EJA

O início do mês de abril para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) foi marcado pela montagem de um comércio inusitado. O professor Cleiton Rezende, de Filosofia, recuperou seu velho carrinho de compras, encheu-o de livros de escritores consagrados e os apresentou a seus alunos, a fim de vendê-los. A forma de pagamento, entretanto, escapa do convencional. Ao invés de dinheiro, a compra é efetuada mediante um pequeno texto ou desenho que comente a obra escolhida; vale até recontar o que foi lido. O “Vende-se Leitura” é um projeto complementar ao conteúdo ministrado em aula e tenta estreitar as relações do aluno com a leitura. Fez parte da mercadoria à venda, livros vencedores de Prêmio Nobel, como “Cem Anos de Solidão” de Gabriel Garcia Márquez; revistas científicas; além da coleção de pensadores clássicos como: Sócrates, Platão e Aristóteles.
A ideia do projeto surgiu por meio de leitura das obras de Rubem Alves, educador brasileiro, que critica o professor habituado a não inovar. Junto a isso, o “Vende-se Leitura” prepara o aluno da EJA para o conteúdo que será apresentado em sala. “Este projeto visa preparar o aluno ao conteúdo que será visto. Por meio deste projeto, os alunos terão a oportunidade de tocar, sentir, pegar a obra que, em breve, irão estudar”, salienta.




Por: Alexandre Almeida e Vânia Queiroz, Jornalistas.

Matéria disponível em http://www.saopaulodacruz.net/

30 de mar. de 2011

Vende-se leitura

Vende-se leitura


Carrinho da Leitura
 
VOCÊ DESEJA COMPRAR LEITURA? Então, fique atento, o Carrinho da Leitura pode estar passando na porta de sua sala! Atenção: Para comprar leitura você não precisa de dinheiro, apesar de a compra ter que ser feita à vista. O pagamento é feito através da elaboração de um texto, comentário ou desenho. Após a leitura, coloque a sua opinião num papel em branco, sobre o que você leu, pesquisou ou viu. Quem não quiser escrever ou desenhar, pode recontar o que leu.

Fiz adaptações no Carrinho da Leitura (Foto) e vou levá-lo para os meus alunos da EJA - Educação de Jovens e Adultos, do Colégio São Paulo da Cruz, aqui da capital mineira. A atividade irá ser realizada sexta, 01 de Abril, às 19h.

No Carrinho da Leitura existem livros de Filosofia, Psicologia, Artes e Mitologia Grega. Obras literárias dos seguintes ganhadores do Prêmio Nobel: Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Hermann Hesse, Gabriel Garcia Márquez, José Saramago e George Bernard Shaw. Sem deixar de fora a coleção dos Pensadores, com: Sócrates, Platão e Aristóteles, fazem parte do acervo, também, diversas revistas como – Galileu, National Geographic, Scientific American Brasil, Ciência e Vida entre outras.

Os "pagamentos" dos alunos irão ser disponibilizados aqui, AGUARDEM!!!

Cleiton Rezende


PS. Obras de Rubem Alves compõe o carrinho, pois, foi deste indizível escritor que tirei e adaptei a idéia. Mais exatamente após ler e tomar consciência da obra, Conversas sobre educação, editora Verus.

25 de mar. de 2011

O mal atual não tem culpados

Arnaldo Jabor
O mal atual não tem culpados
Publicado no Jornal OTEMPO em 22/03/2011

Celacanto provoca maremoto
Arnaldo Jabor

Há 35 anos, surgiu um estranho grafite nos muros do Rio: "Celacanto provoca maremoto". Como um peixe pré-histórico provocaria um tsunami? O grafite virou um enigma, só decifrado anos depois: foi um jornalista, Carlos Alberto Teixeira, jovem na época, que inventou a frase célebre, tirada de um desenho animado (ironicamente) japonês: "National Kid". A frase não queria dizer nada e, por isso, ficou famosa.
Nós sempre queremos significados e explicações. Por isso estamos em pânico: que significado extrair de um acontecimento como o terremoto/maremoto do Japão? Nenhum. Não há nada complexo no fato; poderíamos buscar explicações históricas, sociológicas, técnicas, atrás de responsabilidades e erros, até mesmo apontar o desejo dos japoneses de virarem um "superocidente", depois de Hiroshima.
O terremoto do Japão nos choca justamente porque não tem profundidade alguma. É tudo raso. Não houve erro. Não foi ninguém, a não ser a marcha tranquila da matéria ajustando-se na crosta, ignorando-nos, - nós, os micróbios que a habitam.

O 11 de Setembro já tinha subvertido nosso orgulho de engenharia triunfal e superioridade econômica. Osama bin Laden esmagou a potência fálica do capitalismo, como um Godzilla invisível. Ele criou quase um cataclismo "natural"; o 11 de Setembro, com sua violência crua, indiferente à identidade de suas vítimas, mimetizou a brutalidade cega de um tsunami de Alá.
Por outro lado, o desastre japonês inverteu qualquer lógica na paisagem humana; todas as coisas ficaram "fora do lugar" e vimos que não há lugar certo para as coisas ficarem, não há paisagem racional: o navio em cima da casa, os edifícios afundando no mar, um manto negro de detritos flutuando calmamente sobre as cidades como se inunda um formigueiro ou se mata uma barata. Não foi Deus. Seria até bom que ele existisse, como no terremoto de Lisboa em 1755, quando mais de 100 mil morreram dentro das igrejas cheias de fiéis. Era Dia de Todos os Santos.
Voltaire, em seu texto sobre o desastre de Lisboa, denunciou a brutalidade do "Criador vingativo". Mas a fé resistiu porque ao menos eles sentiam na carne os "desígnios" divinos que matam seus devotos. Em vez do Nada. Ao menos havia um Ser querendo nos punir ou salvar, havia alguém preocupado conosco. Havia ainda alguma transcendência no horror.

Hoje não há mais nada; a impressão é que "o sentido do acontecimento é o acontecimento não ter qualquer sentido".
Estamos famintos de transcendência, mas ela está rara - por isso a religião, drogas, autoenganos, magia. A banalização da morte precede grandes tragédias; mas o problema é que as tragédias é que estão ficando banais, tanto as naturais como as humanas. Qual a profundidade de homens-bomba despedaçando-se por causa de um ser que não existe? Quem é o good guy e o bad guy numa guerra em que o inimigo quer morrer? Precisamos de agentes do mal porque o mal moderno está autossuficiente, tem vida própria.
"O escândalo hoje em dia é que um mal imenso possa ser causado com uma completa ausência de malignidade, que uma responsabilidade monstruosa possa andar a par com uma total ausência de más intenções. O caráter inverossímil da situação é de cortar o fôlego. No mesmo instante em que o mundo se torna apocalíptico, e isso por culpa nossa, oferece a imagem de um lugar habitado por assassinos sem maldade e por vítimas sem ódio. Em nenhuma parte, há traços de maldade, não há senão escombros. A ausência de ódio e a ausência de escrúpulos serão uma coisa só. (...) Na atividade do mundo chamada tecnologia é que a história está acontecendo; a tecnologia virou o sujeito da história, na qual somos apenas co-históricos" (Hannah Arendt e Gunter Anders, apud Jean Pierre Dupuy).

A própria confiança que o Ocidente tem na sua soberba tecnociência está em crise. Desconfiamos agora de sua infalibilidade com vexames sucessivos: óleo derramado, reatores invencíveis, aquecimento climático, destruição do ambiente, terrorismo com armas de destruição em massa.
Talvez a fome com que as nações ocidentais lançaram-se, subitamente humanitários, para destruir o Kadafi e proteger a Líbia, mostre como precisávamos exibir nossa potência técnica e bélica, tão humilhada por catástrofes naturais e humanas. Estávamos precisando mesmo de um filho da p..., nítido, legítimo como Kadafi, espantosa caricatura do mal - uma velha maluca de bigode e camisola.
O problema é que a tecnociência não nos brinda com transcendência alguma; ela é reta, finalista sem saber para onde, ela não tem alma ou sonhos éticos. Sempre que pensamos no futuro, pensamos no pior. O século XXI, cheio de promessas, até agora só nos decepcionou. Precisamos de uma ética política global - qual? Hoje, já há uma máquina de guerra se programando sozinha e nos preparando para um confronto inevitável no Oriente Médio. Já se ouvem os trovões de uma tempestade. Os mecanismos de controle pela "razão", sensatez, pelas "soft powers" da diplomacia perdem a eficácia. A época está ficando morta para palavras, na vala comum dos detritos humanistas. E a ciência não resolve o problema. No entanto, quando Hiroshima e Nagasaki foram derretidas como sorvete, a bomba norte-americana foi considerada uma "vitória da ciência".
O espetáculo luminoso de Hiroshima marcou o início da guerra do século XXI. Auschwitz e Treblinka ainda eram "fornos" da Revolução Industrial, mas Hiroshima inventou a guerra tecnológica, asséptica. A bomba A agiu como um detergente, um mata-baratas. As bombas norte-americanas foram lançadas em nome da "razão".
Nietzsche (quem sou eu para citá-lo?) sacou que temos de viver sem transcendência ou esperança, numa arte de viver além do bem e do mal. O mal atual não tem culpados.
Daí a oportuna lembrança do velho grafite carioca: o celacanto produziu o maremoto? Seria ótimo. Ao menos, teríamos um culpado...[X]


21 de mar. de 2011

A arte de perder não é nenhum mistério

Uma Arte


A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério.


Elizabeth Bishop

16 de mar. de 2011

Tem o "negócio" do decoro, né?

No dia 02 de março, o Deputado Federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, do PR de São Paulo, assumiu uma das vagas na Comissão de Educação da Câmara. Deputado mais votado na eleição de outubro (2010), Tiririca disse como se sentiu depois da primeira reunião. - "Aqui tem que ser sério. Tem o negócio do decoro, né?"; "deu pra entender legal; e "achei bacana os colegas"...
Meu caro Tiririca, se tem que ser sério, me perdoe, ou melhor, perdoe a grande massa de brasileiros não esclarecidos que te elegeram e colocaram aí. É que, segundo o regimento interno da Câmara dos Deputados, os artigos 24 (Atribuição) e 32 (Campo Temático) estão repletos de informações que "deveriam" ser seguidas e, devido a sua incompleta formação, muito além do seu alcance.

No artigo 24, algumas das atribuições lhe convocam para: exercer o acompanhamento e a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União... OU, determinar a realização, com o auxílio do Tribunal de Contas da União, de diligências, perícias, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário... OU, exercer a fiscalização e o controle dos atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta.
O item XIII do mesmo artigo, na minha opinião, lhe será trabalhoso. Está escrito assim: "estudar qualquer assunto compreendido no respectivo campo temático ou área de atividade, podendo promover, em seu âmbito, conferências, exposições, palestras ou seminários". Agora eu te pergunto Tiririca, como isto será possível? Agora eu pergunto ao grande público: Vocês sabiam que o preferido de vocês não era devidamente capaz? Vocês sabiam das devidas atribuições que o cargo exige, antes de saírem votando por aí?

E não acabou, não!

No campo temático, caro deputado, você terá que lidar com "assuntos atinentes à educação em geral; política e sistema educacional, em seus aspectos institucionais, estruturais, funcionais e legais; direito da educação; recursos humanos e financeiros para a educação"... OU, com desenvolvimento cultural, inclusive patrimônio histórico, geográfico, arqueológico, cultural, artístico e científico... OU, na produção intelectual e sua proteção, direitos autorais e conexos.

Todo este disparate me fez lembrar de um adolescente de 14 anos que atendi e disse assim: "Já repeti de ano 4 vezes mas, se não der certo de novo, irei ser jogador de futebol ou, quem sabe, presidente".
Sendo assim, caro deputado, volte a fazer o que você fazia. Sendo palhaço, pelo menos, você me fazia rir. Sendo que agora, só lágrimas... de vergonha.

PS. Com base no belíssimo texto "Lição de política" (abaixo) de Rubem Alves, Tiririca é um berne. E conforme eu, ele é mesmo... mas, ainda, não sabe.

Cleiton Rezende