11 de set. de 2010

Postagem nº 100

BOA SORTE

A felicidade deve menos à coragem do que à sorte, menos, mesmo, à sabedoria do que à sorte. A etimologia diz, a vida o confirma: ser feliz é sobretudo ter a felicidade* (a sorte) de sê-lo.

*Bonheur, felicidade em francês, vem do bon heur, oriundo do latim augurium, que no francês arcaico tinha o sentido de Boa Sorte.

Boa sorte é o que desejo a todos(as) que me acompanharão nas noites de Sexta,
no Colégio São Paulo da Cruz.


Um abração para...

Aires Richardson da Silva
Alda Leal da Cruz
Alexandre Almeida Araujo
Aline Cristina Ferreira Barboza
Amélia Rodrigues dos Santos
Benigna Maria de Aguiar
Caren Flanceles Lopes
Carlos Augusto Maia
Carmen Regina dos Santos
Deivisson Bruno Araujo Leal
Edilaine Cristina Alves
Erika Pereira Metzkr
Evanilson Oliveira
Fernando Gustavo Pereira
Frederico Antunes da Silva
Hosana Cristina Amaral Tavares
Ilídia Lúcia Severino
Iris Aparecida Silva Sena
José Marcelo dos Santos
José Vanderlei de Souza
Liane de Oliveira Araujo
Lorena Fonseca Andrade
Márcia Alves Pereira
Marcos Américo Aquino Ferreira
Maria Elizanja I Martins
Maria Irlanda Ferreira
Maria Marli França Ribeiro
Marilza de Lima Barbosa Santos
Marina A Rocha
Meirelene de A. Fernandes Rodrigues
Nayara Cordeiro
Neide Tavares de Faria Henriques
Nilton Alves dos Reis
Orlando Alexandrino dos Santos
Rafael Gonçalves Silva
Raquel Francine de Oliveira
Rita de Cássia P.Santos
Rosele Vilaça Mendes
Rosilene Santos Afonso Dias
Sérgio Andrade da Rocha
Solange Condessa Coura...

17 de ago. de 2010

Façam suas ações refletirem as suas palavras

Discurso de Severn Suzuki, da Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente, durante a ECO 92, realizado no Rio de Janeiro. Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.


Na íntegra.

Olá, sou Severn Suzuki. Represento a eco, a organização das crianças em defesa do meio ambiente. Somos um grupo de crianças canadenses, de 12 a 13 anos, tentando fazer a nossa parte, contribuir. Todo o dinheiro que precisávamos para vir de tão longe, conseguimos por nós mesmos, para dizer que vocês, adultos, tem que mudar o seu modo de agir.
Ao vir aqui hoje, não preciso disfarçar meu objetivo: estou lutando pelo meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na bolsa de valores. Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir. Estou aqui para defender as crianças com fome, cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome dos incontáveis animais morrendo em todo o planeta porque já não tem mais para onde ir.

Não podemos mais permanecer ignorados. Hoje tenho medo de tomar sol por causa dos buracos na camada de ozônio, tenho medo de respirar esse ar porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando.
Eu costumava pescar em Vancouver com meu pai até o dia em que pescamos um peixe com câncer. Temos conhecimento de que animais e plantas estão sendo destruídos a cada dia e em vias de extinção. Durante toda minha vida eu sonhei ver grandes manadas de animais selvagens, selvas, florestas tropicais repletas de pássaros e borboletas mas, agora, eu me pergunto se meus filhos vão poder ver tudo isso.

Vocês se preocupavam com essas coisas quando tinham a minha idade?

Todas essas coisas acontecem bem diante dos nossos olhos e, mesmo assim, continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções. Sou apenas uma criança e não tenho as soluções mas, quero que saibam que vocês também não têm.

Vocês não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio. Vocês não sabem como salvar os salmões das águas poluídas. Vocês não podem ressuscitar os animais extintos. Vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram, onde hoje, é deserto. Se vocês não podem recuperar nada disso, então, por favor, parem de destruir!
Aqui, vocês são os representantes de seus governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos, mas, na verdade, são mães e pais, irmãos e irmãs, tios e tias, e todos também são filhos. Sou apenas uma criança, mas, sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de 5 bilhões de pessoas e ao todo somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade. Sou apenas uma criança, mas sei que esse problema atinge a todos nós e deveríamos agir como se fossemos um único mundo rumo a um único objetivo.

Apesar da minha raiva, não estou cega, apesar do meu medo, não sinto medo de dizer ao mundo como me sinto. No meu país, geramos tanto desperdício, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora, e os paises do norte não compartilham com os que precisam. Mesmo quando temos mais do que o suficiente, temos medo de perder nossas riquezas, medo de compartilhá-las. No Canadá, temos uma vida privilegiada com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de tv. Há dois dias, aqui no Brasil, ficamos chocados quando estivemos com crianças que moram nas ruas. Ouçam o que uma delas nos contou: "eu gostaria de ser rica e, se fosse, daria a todas as crianças de rua, alimentos e roupas, remédios, moradia, amor e carinho".
Se uma criança de rua que não tem nada ainda deseja compartilhar, por que nós que temos tudo somos ainda tão mesquinhos? Não posso deixar de pensar que essas crianças tem a minha idade e que o lugar onde nascemos faz uma grande diferença. Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio de Janeiro. Eu poderia ser uma criança faminta da Somália. Uma vitima da guerra do Oriente Médio, ou uma mendiga da Índia.
Sou apenas uma criança, mas ainda assim sei que, se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a terra seria!

Na escola, desde o jardim de infância, vocês nos ensinaram a sermos bem comportados, vocês nos ensinaram a não brigar com os outros. Resolver as coisas bem. Respeitar os outros. Arrumar nossas bagunças. Não maltratar outras criaturas. Dividir e não ser mesquinho. Então, por que vocês fazem justamente o que nos ensinaram a não fazer?
Não esqueçam o motivo de estarem assistindo a estas conferências. E para quem vocês estão fazendo isso. Vejam-nos como seus próprios filhos. Vocês estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer. Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes: “tudo ficará bem...”. “Estamos fazendo o melhor que podemos.” Mas não acredito que possam nos dizer isso. Estamos sequer na sua lista de prioridades?
Meu pai sempre diz: “você é aquilo que faz... não aquilo que você diz”...
Bem, o que vocês fazem, nos fazem chorar a noite.
Vocês, adultos, nos dizem que vocês nos amam.
Eu desafio vocês.
Por favor... façam suas ações refletirem as suas palavras.

16 de ago. de 2010

O que podemos conhecer?

Escher (Relatividade)


A primeira impressão diante de uma obra de Escher é de estranhamento, mas também de ludicidade, porque o artista brinca com nossa percepção. O que nos faz pensar: Será que tudo o que vejo é mesmo real? E se tudo for uma ilusão de meus sentidos? Convivo com pessoas que pensam de modo tão diferente de mim, como se vivessem em outra realidade. O que é real? Qual a garantia de que a realidade não seja um sonho? Já tive certezas tão arraigadas e que se dissolveram com o tempo: teria eu caído em erro? E agora, estaria certo? Quais são as garantias de minhas certezas?

BIBLIOGRAFIA.

ARANHA, M. Lúcia de Arruda, MARTINS, M Helena Pires. Filosofando. 2.ed. São Paulo: Moderna, 1993.

5 de ago. de 2010

Saber ouvir

A humanidade começa quando aprendemos a ouvir

Richard Carlson

( Entenda como gastamos uma quantidade enorme de energia tentando estar sempre a frente do outro )

Pense nisso por alguns minutos!

Quando você apressa alguém, interrompe ou termina a frase por ele ou ela, tem que prestar muitíssima atenção para não perder o fio de seus próprios pensamentos, assim como da pessoa que você está interrompendo. Essa tendência incentiva as pessoas envolvidas numa conversação a acelerarem suas falas e pensamentos. Isso, por sua vez, as tornam nervosas, irritáveis e aborrecidas. É completamente exaustivo.
É também motivo para uma série de discussões, porque se existe uma coisa que ninguém gosta, é ter um interlocutor qua não está prestando atenção ao que está dizendo.
E como você pode estar realmente prestando atenção ao que alguém está dizendo, se está empenhado em falar por esta pessoa?

Ouvir efetivamente é mais do que simplesmente evitar o péssimo hábito de interromper os outros enquanto falam, ou, terminar a frase por eles. Ouvir é sentir-se bem ao ouvir plenamente o pensamento do outro, em vez de aguardar, impaciente, sua oportunidade de responder.
A maneira como falhamos como ouvinte, revela muito sobre como vivemos e como somos. É como se nosso objetivo fosse não permitir qualquer intervalo entre a conclusão da frase da pessoa com quem estamos falando e o início de nossa frase. Nesse intervalo poderíamos pensar. Isso é perigoso.
Diminuir o ritmo de respostas e tornar-se um ouvinte mais aplicado o ajudará a se tornar uma pessoa menos estressada. Se você pensar a respeito, verificará que dispensamos uma quantidade enorme de energia e estresse quando ficamos "na ponta da cadeira" tentando adivinhar o que a pessoa à nossa frente dirá para que sejamos ágeis na resposta.

Mas, quando você espera que a pessoa com quem está se comunicando acabe ou, simplesmente, ouve mais atentamente o que está sendo dito, perceberá que a pressão sobre você se alivia. Você imediatamente se sente mais relaxado, e, a pessoa com quem está falando também. Tornar-se um ouvinte melhor não só faz de você uma pessoa mais paciente, como, também, melhora a qualidade de suas relações. Saber ouvir é compreender o princípio das realidades diferentes. Não é simplesmente o esforço de tolerar diferenças, mas, o entendimento real e a constatação do fato de que é impossível que o outro pense e diga o que você pensa ou, quer dizer.

Só quando realmente compreendemos que a realidade é composta pelos diferentes, quando nos asseguramos de que os outros farão coisas de formas diversas e reagirão diversamente aos mesmos estímulos que nós recebemos, é que começamos a compreender a imensa riqueza da vida e de estarmos vivos.
Quando julgamos ou criticamos (no sentido de senso comum) outra pessoa, não são os seus defeitos que estamos denunciando mas, o nosso: a nossa necessidade de sermos críticos. A crítica (no sentido de reprovação e de falar mal) não só não resolve nada, como contribui para a irritação e a desconfiança em relação a todos e a tudo. A crítica neste sentido nada mais é que um péssimo hábito.
É algo que nos acostumamos a fazer; somos íntimos da sensação. É algo que nos mantém acupados e nos fornece assunto para conversas. Experimente procurar a verdade na opinião do outro ao invés de criticá-lo. Toda opinião tem seu mérito, especialmente se estivermos procurando por méritos e não por erros.

Da próxima vez que alguém lhe der uma opinião, em vez de julgá-lo(a) ou criticá-lo(a), tente encontrar o que nela existe de verdade. Experimente respirar antes de falar. A princípio, o espaço de tempo entre duas vozes vai parecer uma eternidade. Mas, representa, apenas, uma diminuta fração de segundo do tempo real. Você se acostumará com o poder e a beleza da respiração e, irá apreciá-la igualmente. Ela fará com que você se aproxime mais e ganhe maior respeito de praticamente todo mundo com quem você tiver contato. Descobrirá que ser ouvido é um dos maiores e mais preciosos tesouros que você pode oferecer a alguém. E tudo que é necessário é intenção e prática.
Experimente deixar de lado a "necessidade" doentia de estar sempre certo.
A necessidade de estar certo (ou, a necessidade de alguém estar errado) encoraja os outros a se defenderem, e nos pressiona a manter nossa defesa.
Todos queremos que nossas posições sejam respeitadas e entendidas pelos outros.
Ser ouvido e entendido é um dos maiores desejos do ser humano.

Pense nisso para o resto de sua vida!

4 de ago. de 2010

Cecília Meireles

Tal qual me vês, há séculos em mim:
números, nomes, o lugar dos mundos e o poder do sem fim.
Inútil perguntar por palavras que disse:
histórias vãs de circunstância, coisas de desespero ou meiguice.
(Mísera concessão, no trajeto que faço:
postal de viagem, endereço efêmero, álibi para a sombra do meu passo…)
Começo mais além: onde tudo isso acaba, e é solidão.
Onde se abraçam terra e céu, caladamente, e nada mais precisa explicação.

Cecília Meireles